Não é fácil fazer a roda gigante e pesada de um romance girar. O escritor é sujeito que trabalha sozinho, precisa buscar o barro e despejar toda a massa disforme no papel, precisa ir dando as primeiras formas toscas até, enfim, chegar no trabalho do polimento. É trabalho bruto e fino. E o que André Volpato consegue com seu romance de estreia, cidademanequim, é de uma habilidade espantosa em todas as etapas do processo. Mantém a estrutura geral do romance, fazendo conexões entre as muitas vozes que o habitam, sem nunca descuidar da limpeza das unidades mínimas, a frase, a palavra pensada, a pontuação. Expor com tanta clareza a confusão humana é capacidade das mais raras. Nesse romance exemplar do que Mikhail Bakhtin chamaria de polifônico, a palavra inventiva jamais será sinônimo de malabarismo exibicionista. É a forma que compõe conteúdo e, longe de ser mera embalagem, tece sentidos. Nada a ver com pedantismos de quem descobriu ontem a riqueza da língua.
Autor: Volpato
Editora: Moinhos Editora
ISBN: 9786550260170
Ano: 2019
Edição: 1
Páginas: 176
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21 x 0.9 cm